1 de outubro de 2013

Cura: para o político ou para o povo?

         O Brasil começa a viver, finalmente, novos tempos políticos. O povo acordou com o pé direito e resolveu ir para as ruas exercer o poder que é seu, por direito, e infelizmente estava esquecido por alguns anos. Algo que parecia tão pequeno, se tratando inicialmente de uma manifestação quanto ao aumento das tarifas de ônibus, foi tomando enormes proporções.  E de repente, como se já não tivessem coisas suficientes a serem protestadas, lá vem aquele turbilhão de projetos-leis polêmicos, guardados nas gavetas do congresso nacional há anos.  Mais algumas doses de indignação para a população continuar protestando, dentre eles PEC 37, “Ato Médico”, “Cura Gay”.
         É então que vem a “Super Dilma”, e faz alguns vetos importantes salvarem a nossa política; as nossas profissões (profissionais de saúde, exceto médicos) e acima de tudo a nossa saúde, a saúde da nossa população, que já passava por “maus bocados”, não precisava de nada mais que não fosse para somar, “benditos vetos”! Nem “tão benditos assim”, quando entrou em questão a “Cura Gay”. Bastante polemizado pela mídia, tenho que concordar, mas também, com seu fundo errôneo e preconceituoso por traz dessa lei, dito por especialistas. De um jeito ou de outro, essa presidente, cujo “pau de galinheiro” se achava limpo frente a ela, conseguiu melhorar sua imagem naquele momento de grandes manifestações, em que até impeachment era cogitado pelos populares.
         Alguns ouvidos, e resolvidos, outros apenas ouvidos e mais alguns nem isso, assim findou-se os protestos e manifestações pelo país. Não por acaso, nossa presidente e toda a corja daquele congresso, começa a parecer se importar com a população, ou com a derrubada dos seus poderes, outra possibilidade. O que a pressão popular não é capaz de fazer? Eis, a pergunta que perdurou.  Coisas surpreendentes começam a acontecer, a PEC 37 cai, e todos que eram a favor no congresso passam a comemorar a derrubada desse projeto-lei, no mínimo irônico e asqueroso, tamanho ao cinismo deles; corrupção passando a ser crime hediondo; preocupação com quanto à falta de médicos em regiões carentes do país, e a superconcentração em grandes centros, e para sanar essa carência, o surgimento do polêmico programa Mais Médicos.
         Que venham então, dispostos a cuidar da saúde da nossa população carente, que por azar de não terem nascido em grandes centros e estarem distribuídos geograficamente em regiões paupérrimas, em que se a alimentação já é escassa, “saúde nem se sabe o significado”. Venham para somar com o nosso país! Criticados ou não, mas venham, e tenham a delicadeza com a saúde da nossa população, que os nosso não estão tendo! Era o que deveriam ser dito, ou pelo menos parecido, a esses médicos vindos de Cuba. Mas, a boa parte, preferiu fazer críticas ridículas e de péssimo gosto.  Um bom exemplo disso, melhor dizendo, “um péssimo exemplo disso”, temos nas palavras absurdas de uma jornalistazinha, postada em sua rede social: "Me perdoem se for preconceito, mas essas médicas cubanas tem uma cara de empregada doméstica. Será que são médicas Mesmo?”. É o tipo de coisa, que até só em pensamento deveria ser crime.
         Eis, um grande ponto polêmico, se o governo não faz nada, tá errado (e tá mesmo), mas se faz, continua errado! Um pouco extremista, mas é pensa, a população na maioria das vezes. O fato é que muitos esquecem que esses médicos cubanos, tão taxados, vieram para ocupar vagas em locais, onde os médicos brasileiros, “os semi-deuses”, não querem ir, nem por salários altíssimos, e quando vão atendem no máximo, uma poucas horinhas uma vez na, isso com muita sorte! Ganhando como se tivesse trabalhando quarenta h/s. Mesmo tendo jurado proteger a vida humana em qualquer circunstância! E Claro, que não pode ser generalizado. Pois, existem uns poucos que fazem jus a seu juramento, deixam de ter o próprio umbigo como foco, e se importam mesmo, com a saúde da população, não somente com aqueles que podem comprar a importância que merecem.
         Em meio a tudo isso, surge então na mídia denúncias de médicos que só assinam o ponto e ganham suas pequenas fortunas do nosso dinheiro sem sequer tocar no paciente. Digo mais, sem sequer ficar em seu local de trabalho para saber quantos sãos os pacientes, quantos estão precisando de seu atendimento e o porquê de estarem! Médicos em que a missão do seu dia se ressume em assinar o ponto e correr para fazer o mesmo procedimento em várias cidadezinhas próximas, onde o sua atribuição mais trabalhosa é ir ao banco no final do mês e receber pelo que não foi trabalhado.
          Outros profissionais da saúde também realizam proezas parecidas. Exemplo disso é um fisioterapeuta visitar um município, uma única vez por mês para atender a população, enquanto recebe para passar 20 horas semanais. “Ele finge que atende, o paciente finge que acredita que vai melhorar, às vezes até acredita por desconhecimento, ou porque é o que resta, e acaba gerando descrédito da profissão e danos ao paciente. É uma pena que o dinheiro na conta deste mau profissional, no final do mês não seja fajuto, como o seu trabalho ou a falta dele. Mais um profissional recebendo pelo o que não foi trabalhado.
         Muitos profissionais botam a culpa no sistema, e em várias outras coisas. Mas, esquecem que o problema não está só no sistema, não está só na discrepância de salários dos profissionais de saúde e desvalorização dos mesmos, não está só nas estruturas dos hospitais e postos de saúde, a reforma não pode ser só nisso, tem que ser reformado também, os valores das pessoas, esses também estão por demasia escasso.

         Felizmente, esses “profissionais” não são maioria, ainda há muita gente boa e competente com vontade de trabalhar de verdade. Eu penso, que gente que não honra seu ofício, que fura fila, que compra coisas roubadas, que não sede lugar no ônibus aos idosos, que só pensa em “se dar bem”, que não dá bons exemplos aos filhos, não tem direito de criticar um político corrupto e muito menos o governo falho. Já que, estando na mesma situação de poder certamente cometeriam os mesmos erros, pois mesmo não estando, comentem parecidos. De fato a ocasião não faz o ladrão, ela só o revela! Assim, bom mesmo seria viver num mundo de pessoas esclarecidas, honestas e tra-lá-lá, mas, enquanto infelizmente, não é possível, vai cada um fazendo a sua parte. Se bem não fizer, mal também não há de fazer!

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